
Mauro Maldonato é psiquiatra e filósofo. Professor da Universidade da Basilicata, foi professor visitante da PUC e da USP de São Paulo. Desenvolveu seus estudos na Universidade La Sapienza de Roma e na Universidade de Londres. Colaborador do jornal La Repubblica e diretor da revista Élites. Seus ensaios estão traduzidos em francês, inglês, espanhol e português. No Brasil publicou os livros: A Subversão do Ser (2001), Raízes Errantes (2004), O desafio da Comunicação – Caminhos e Perspectivas (2004), In Interiore Homine – Pesquisas em psicologia fenomenológica (2005), A Mente Plural – Biologia, Evolução, Cultura (no prelo).
O Tempo na Ciência e na Arte
A arte sempre percebe com antecedência a necessidade de transformação mental, que em seguida se manifesta na mudança dos paradigmas da ciência. A tridimensionalidade do espaço e a unicidade do tempo pertencem a um modelo de percepção cartesiana do mundo, na qual as imagens são consideradas como uma reprodução fiel da realidade. A percepção humana, na verdade, é historicizada, pois se modifica em conseqüência da capacidade criativa de o homem constituir modelos mentais inovadores para a interpretação da realidade. A percepção tridimensional do espaço foi antropologicamente determinada pela necessidade de desenvolver faculdades mentais de reconhecimento da matéria e de seu movimento. Esse ponto de vista perceptivo se torna insuficiente quando o problema capital da percepção imaginativa é centrado na representação não diretamente perceptível da energia. Então a conceitualidade do modelo cartesiano entra em crise.
A reflexão sobre a mudança das percepções do espaço e do tempo na ciência ainda está em aberto e muito distante de uma conclusão unívoca. A ciência, com efeito, é uma exploração continua de novas maneiras de pensar. No século passado a ciência modificou de fato nossa compreensão do “espaço” e do “tempo” que derivava da física clássica. Albert Einstein compreendeu primeiramente que considerar o espaço como um “recipiente” do mundo e o tempo como aquilo “ao longo do qual” a existência “flui” já não era possível, por causa da constância da velocidade da luz. Por isso espaço e tempo se tornam entidades relativas, unificadas em um continuum tetradimensional, com base no qual já não é possível definir a trajetória do movimento fornecendo, instante por instante, posição e velocidade.